Hoje acordei e senti-me vazia… Ao abrir os olhos para mais um dia inteirei-me de sensações até nunca sentidas. Mal coloquei o primeiro pé no quente chão de madeira do meu quarto, um sentimento de perda apoderou-se de mim. Em todos os sentidos, algo faltava e sem isso nada mais fazia sentido; literalmente cai para cima da cama de novo, sem forças para ficar em pé. Tendo em conta toda a história a pergunta “porquê?” torna-se desnecessária, dando lugar à questão: “porquê agora?”Porque não quando ela disse que jamais me queria ver, ou então quando ele se mudou para a casa do lado e não me levou também? Porque não quando ambos dispensaram o meu amor e ofereceram todo o seu carinho a quem merecia e desejava tanto quanto eu?
Por várias ocasiões fui chamada de injusta por não valorizar os breves momentos passados antes do eterno desinteresse surgir. E por diversas ocasiões fui acusada também de não fazer sequer um esforço para perdoar. Agora por favor alguém que me explique, se eu não fosse capaz de perdoar aqueles que um dia me magoaram, seria capaz de amar da forma que amo aqueles que são e foram amados incondicionalmente por aqueles que me rejeitaram? A resposta é a mais óbvia de todas: claro que não. Os ressentimentos apenas atingem quem os tem dentro de si, e eu orgulhosamente me caracterizo como uma pessoa que não guarda qualquer rancor; e dadas as circunstância é verdadeiramente um motivo de orgulho.
Realmente as experiências de cada um definem o ser humano em que a pessoa se irá, um dia tornar; e eu, através de tudo pelo que em tão poucos anos passei, sou a prova viva disso mesmo. Tornei-me numa mulher forte que não cai facilmente, e quando cai, rapidamente se levanta e continua o seu caminho. Sempre com a cabeça erguida e com as prioridades bem definidas.
A eles só tenho de agradecer, sem amargura ou ressentimentos. Presentes ou não foram o melhor que eu poderia ter e é graças a eles que sou a mulher que me tornei hoje.
A ele - Sê feliz, estarei sempre aqui.
A ela - Descança em Paz, quase um ano