Hoje faz um ano que partiste de vez, e contigo levaste muitas coisas. Levaste alegria, esperança, liberdade…Apesar da tua presença ter sido constantemente negativa na minha vida, dentro de mim sempre tive a incansável esperança que um dia pudéssemos ter aquela relação, a relação que uma mãe e uma filha devem ter. Tudo se tornou repentinamente impossível, e mesmo assim continuo a sonhar e a imaginar como seria se algum dia fizesses parte da minha rotina.
Todos os dias visualizo na minha cabeça como seria… Como seria ter uma mãe a quem pudesse confiar os meus medos e inseguranças; ter uma mãe que me penteasse o cabelo antes de deitar e me dissesse como sou bonita e como está orgulhosa da pessoa em que me tornei; ter uma mãe que vá as compras comigo e me diga que já preciso de ir à manutenção porque tenho as unhas feias. Todos os dias visualizo na minha cabeça como seria ter uma mãe que me ajudasse a preparar o meu casamento, que me fizesse o jantar nos dias mais complicados e que cuidasse dos meus filhos numa noite que me apetecesse ir ao cinema com o marido. Quando sentimos falta de algo fantasiamos, é assim que o ser humano funciona e eu não sou excepção, não querendo claro afirmar que sou menos feliz por não estares aqui.
Durante este ano muito aconteceu, muito ficou para trás e muitas novas etapas começaram. Tudo evolui de forma positiva, o Alex está cada vez melhor e a Kiki vai andando; eu e a Granny estamos separadas pela distância mas não pelo coração e a Gisela e o Jorge estão a fazer tudo o que podem. É assim que é hoje e é assim que vai ser, todos temos as nossas diferenças mas ao contrario de ti nunca vamos desistir e iremos sempre andar em frente.
Obrigada por tudo o que indirectamente me ensinaste. Tão cedo não terei nada de novo para te dizer, mas fica atenta porque pode ser que me lembre de algo mais.
Agora, descansa em paz.